Circulado es un álbum de Caetano Veloso, publicado en 1991 por Polygram. El disco incluye 11 canciones, entre ellas «Fora Da Ordem», «Circulado De Fulo», «Itapua» y «Boas Vindas».
Sobre el álbum
La discografía de Caetano Veloso muestra su faceta más vanguardista y roquera con este álbum de 1991, una obra audaz y a menudo desafiante. Para 'Circulado' Caetano colaboró estrechamente con el músico y productor Arto Lindsay, una figura clave de la escena "no wave" de Nueva York. El sonido del disco es abrasivo y experimental, con guitarras disonantes, ritmos industriales y una estética deconstructivista. El álbum se aleja por completo de la suavidad de la bossa nova o la calidez de la MPB (Música Popular Brasileña) tradicional.
Pese a su naturaleza ruidosa, las melodías y la sensibilidad poética de Caetano siempre logran abrirse paso. Por ejemplo, en la canción "O Cu do Mundo" ("El Culo del Mundo"), utiliza este sonido áspero para realizar una crítica feroz al estado de Brasil. El álbum presenta una instrumentación inusual, con la participación de violonchelistas y percusionistas que añaden capas de complejidad a la base roquera. 'Circulado' no es un disco de escucha fácil, pero es una obra increíblemente valiente y artísticamente estimulante. Es el sonido de un artista que se niega a acomodarse y que sigue buscando nuevas formas de expresión, sin miedo a alienar a una parte de su audiencia.
Listado de Canciones
- Fora Da Ordem5:54
- Circulado De Fulo3:29
Letra
Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô De fulô e ainda quem falta me dá soando como um shamisen E feito apenas com um arame tenso um cabo e uma lata Velha num fim de festafeira no pino do sol a pino mas para Outros não existia aquela música não podia porque não Podia popular aquela música se não canta não é popular Se não afina não tintina não tarantina e no entanto puxada Na tripa da miséria na tripa tensa da mais megera miséria Física e doendo doendo como um prego na palma da mão Um ferrugem prego cego na palma espalma da mão Coração exposto como um nervo tenso retenso um renegro Prego cego durando na palma polpa da mão ao sol Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô De fulô e ainda quem falta me dá O povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro Da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia Azeitava o eixo do sol Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô De fulô e ainda quem falta me dá E não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie Desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe me Esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto Que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim Me reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito E se verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem Faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre Que me ensinou já não dá ensinamento Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie Porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô De fulô e ainda quem falta me dá - Itapua3:36
Letra
Nosso amor resplandecia sobre as águas que se movem Ela foi a minha guia quando eu era alegre e jovem Nosso ritmo, nosso brilho, nosso fruto do futuro Tudo estava de manhã Nosso sexo, nosso estilo, nosso reflexo do mundo Tudo esteve em Itapuã Itapuã, tuas luas cheias, tuas casas feias Viram tudo, tudo, o inteiro de nós Itapuã, tuas lamas, algas, almas que amalgamas Guardam todo, todo, o cheiro de nós Abaeté, essa areia branca ninguém nos arranca É o que em Deus nos fiz Nada estanca em Itapuã Ainda sou feliz Itapuã, quando tu me faltas, tuas palmas altas Mandam um vento a mim, assim: Caymmi Itapuã, o teu sol me queima e o meu verso teima Em cantar teu nome, teu nome sem fim Abaeté, tudo meu e dela A lagoa bela sabe, cala e diz Eu cantar-te nos constela em ti Eu sou feliz Ela foi a minha guia quando eu era alegre e jovem - Boas Vindas3:42
Letra
Sua mãe e eu Seu irmão e eu E a mãe do seu irmão Meus irmãos e eu Minha mãe e eu E os pais da sua mãe E a irmã da sua mãe Lhe damos as boas-vindas Boas-vindas, boas-vindas Venha conhecer a vida Eu digo que ela é gostosa Tem o sol e tem a lua Tem o medo e tem a rosa Eu digo que ela é gostosa Tem a noite e tem o dia A poesia e tem a prosa Eu digo que ela é gostosa Tem a morte e tem o amor E tem o mote e tem a glosa Eu digo que ela é gostosa Eu digo que ela é gostosa Sua mãe e eu Seu irmão e eu E o irmão da sua mãe - Ela Ela2:03
Letra
Ela ela Ela é ela Ela é uma Ela não fuma mais Ela fumava muito mas não fuma mais Ela é tão jovem Ela gosta dessa moda de não fumar Ela está comigo em manhattan E nós vimos o show de sting no madison square garden E ela disse Hoje em dia acendem poucos isqueiros na platéia Porque pouca gente fuma Ela é tão jovem E tem saudade do tempo em que muita gente tinha isqueiro Eu tenho amor por ela Ela é ela Ela separa as pernas e vem outra - Santa Clara, Padroeira Da Televisao3:08
Letra
Santa clara, padroeira da televisão Que o menino de olho esperto saiba ver tudo Entender certo o sinal certo se perto do encoberto Falar certo desse perto e do distante porto aberto Mas calar Saber lançar-se num claro instante Santa clara, padroeira da televisão Que a televisão não seja o inferno, interno, ermo Um ver no excesso o eterno quase nada (quase nada) Que a televisão não seja sempre vista Como a montra condenada, a fenestra sinistra Mas tomada pelo que ela é De poesia Quando a tarde cai onde o meu pai Me fez e me criou Ninguém vai saber que cor me dói E foi e aqui ficou Santa clara Saber calar, saber conduzir a oração Possa o vídeo ser a cobra de outro éden Porque a queda é uma conquista E as miríades de imagens suicídio Possa o vídeo ser o lago onde narciso Seja um deus que saberá também Ressuscitar Possa o mundo ser como aquela ialorixá A ialorixá que reconhece o orixá no anúncio Puxa o canto pra o orixá que vê no anúncio No caubói, no samurai, no moço nu, na moça nua No animal, na cor, na pedra, vê na lua, vê na lua Tantos níveis de sinais que lê E segue inteira Lua clara, trilha, sina Brilha, ensina-me a te ver Lua, lua, continua em mim Luar, no ar, na tv São francisco - Baiao Da Penha3:25
Letra
Demonstrando a minha fé Vou subir a Penha a pé Pra fazer minha oração Vou pedir à padroeira Numa prece verdadeira Que proteja o meu baião Penha! Penha! Eu vim aqui me ajoelhar Venha, venha, Trazer paz para o meu lar. Nossa Senhora da Penha Minha voz talvez não tenha O poder de te exaltar Mas de bênção padroeira Pressa gente brasileira Que quer paz pra trabalhar Penha, Penha Eu vim aqui me ajoelhar Venha, Venha Trazer paz para o meu lar (2X) - Neide Candolina3:25
Letra
Preta chique, essa preta é bem linda Essa preta é muito fina Essa preta é toda a glória do brau Preta preta, essa preta é correta Essa preta é mesmo preta É democrata social racial Ela é modal Tem um Gol que ela mesma comprou Com o dinheiro que juntou Ensinando português no Central Salvador, isso é só Salvador Sua suja Salvador E ela nunca furou um sinal Isso é legal E eu e eu e eu sem ela Nobreza brau, nobreza brau Preta sã, ela é filha de Iansã Ela é muito cidadã Ela tem trabalho e tem carnaval Elegante, ela é muito elegante Ela é superelegante Roupa Europa e pixaim Senegal Transcendental Liberdade, bairro da Liberdade Palavra da liberdade Ela é Neide Candolina total E a cidade, a baía da cidade A porcaria da cidade Tem que reverter o quadro atual Pra lhe ser igual E eu e eu e eu sem ela Nobreza brau, nobreza brau - A Terceira Margem Do Rio4:10
Letra
Oco de pau que diz: Eu sou madeira, beira Boa, dá vau, triztriz Risca certeira Meio a meio o rio ri Silencioso, sério Nosso pai não diz, diz: Risca terceira Água da palavra Água calada, pura Água da palavra Água de rosa dura Proa da palavra Duro silêncio, nosso pai Margem da palavra Entre as escuras duas Margens da palavra Clareira, luz madura Rosa da palavra Puro silêncio, nosso pai Meio a meio o rio ri Por entre as árvores da vida O rio riu, ri Por sob a risca da canoa O rio viu, vi O que ninguém jamais olvida Ouvi, ouvi, ouvi A voz das águas Asa da palavra Asa parada agora Casa da palavra Onde o silêncio mora Brasa da palavra A hora clara, nosso pai Hora da palavra Quando não se diz nada Fora da palavra Quando mais dentro aflora Tora da palavra Rio, pau enorme, nosso pai - O Cu Do Mundo2:23
Letra
O furto, o estupro, o rapto pútrido O fétido seqüestro O adjetivo esdrúxulo em U Onde o cujo faz a curva (O cu do mundo, esse nosso sítio) O crime estúpido, o criminoso só Substantivo, comum O fruto espúrio reluz À subsombra desumana dos linchadores A mais triste nação Na época mais podre Compõe-se de possíveis Grupos de linchadores - Lindeza4:00
Letra
Coisa linda É mais que uma ideia louca Ver-te ao alcance da boca Eu nem posso acreditar Coisa linda Minha humanidade cresce Quando o mundo te oferece e enfim te dás Tens lugar, promessa de felicidade, festa da vontade Nítido farol, sinal novo sob o sol, vida mais real Coisa linda Lua, lua, lua, lua Sol, palavra, dança nua Pluma, tela, pétala Coisa linda Desejar-te desde sempre Ter-te agora, um dia é sempre Uma alegria pra sempre