Tropicalia 2 es un álbum de Caetano Veloso, publicado en 1993. El disco incluye 12 canciones, entre ellas «Haiti», «Cinema Novo», «Tradicao» y «As Coisas».
Sobre el álbum
La discografía de Caetano Veloso celebra un reencuentro histórico con este álbum, una colaboración con su amigo y compañero de viaje Gilberto Gil. Lanzado en 1993, 'Tropicalia 2' conmemora los 25 años del movimiento que ambos lideraron. El disco no es un mero ejercicio de nostalgia; en su lugar, funciona como una reflexión sobre el legado del Tropicalismo y una actualización de sus principios para un nuevo contexto social y político en Brasil. Los dos artistas demuestran que su química creativa sigue intacta, pero su sonido ha evolucionado considerablemente. Así, el álbum incorpora influencias del funk, el rap y la música electrónica, géneros que no existían en la época de su primer manifiesto.
Canciones como "Haiti" son una poderosa denuncia social sobre la violencia policial y el racismo en Brasil, utilizando un ritmo que fusiona el rap con la percusión de Bahía. El disco también contiene momentos de una belleza poética sobrecogedora, como en "Cinema Novo", que rinde homenaje al movimiento cinematográfico brasileño. La inclusión de un sample de Jimi Hendrix en la canción "Wait Until Tomorrow" es un guiño a sus influencias originales y una forma de conectar el pasado con el presente. 'Tropicalia 2' es una obra compleja y multifacética, un diálogo entre dos de los más grandes artistas de Brasil que demuestra la vigencia y la continua relevancia de las ideas tropicalistas: la antropofagia cultural, la crítica social y la constante experimentación.
Listado de Canciones
- Haiti4:19
Letra
Quando você for convidado pra subir no adro da fundação Casa de Jorge Amado Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos Dando porrada na nuca de malandros pretos De ladrões mulatos e outros quase brancos Tratados como pretos Só pra mostrar aos outros quase pretos (E são quase todos pretos) Como é que pretos, pobres e mulatos E quase brancos, quase pretos de tão pobres são tratados E não importa se olhos do mundo inteiro Possam estar por um momento voltados para o largo Onde os escravos eram castigados E hoje um batuque um batuque Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária Em dia de parada E a grandeza épica de um povo em formação Nos atrai, nos deslumbra e estimula Não importa nada Nem o traço do sobrado Nem a lente do fantástico Nem o disco de Paul Simon Ninguém, ninguém é cidadão Se você for a festa do pelô, e se você não for Pense no Haiti Reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui E na TV se você vir um deputado em pânico Mal dissimulado Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer Plano de educação que pareça fácil Que pareça fácil e rápido E vá representar uma ameaça de democratização Do ensino do primeiro grau E se esse mesmo deputado defender a adoção Da pena capital E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto E nenhum no marginal E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco Brilhante de lixo Do Leblon E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo Diante da chacina 111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos E quando você for dar uma volta no Caribe E quando for trepar sem camisinha E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba Pense no Haiti Reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui - Cinema Novo4:14
Letra
O filme quis dizer "Eu sou o samba" A voz do morro rasgou a tela do cinema E começaram a se configurar Visões das coisas grandes e pequenas Que nos formaram e estão a nos formar Todas e muitas: Deus e o diabo, vidas secas, os fuzis Os cafajestes, o padre e a moça, a grande feira, o desafio Outras conversas, outras conversas sobre os jeitos do Brasil Outras conversas sobre os jeitos do Brasil A bossa nova passou na prova Nos salvou na dimensão da eternidade Porém aqui embaixo "A vida mera metade de nada" Nem morria nem enfrentava o problema Pedia soluções e explicações E foi por isso que as imagens do país desse cinema Entraram nas palavras das canções Entraram nas palavras das canções Primeiro foram aquelas que explicavam E a música parava pra pensar Mas era tão bonito que parece Que a gente nem queria reclamar Depois foram as imagens que assombravam E outras palavras já queriam se cantar De ordem e desordem de loucura De alma a meia-noite e de indústria E a Terra entrou em transe E no sertão de Ipanema Em transe é, no mar de monte santo E a luz do nosso canto e as vozes do poema Necessitaram transformar-se tanto Que o samba quis dizer O samba quis dizer: eu sou cinema O samba quis dizer: eu sou cinema Aí o anjo nasceu, veio o bandido meterorango Hitler terceiro mundo, sem essa aranha, fome de amor E o filme disse: Eu quero ser poema Ou mais: Quero ser filme e filme-filme Acossado no limite da garganta do diabo Voltar a Atlântida e ultrapassar o eclipse Matar o ovo e ver a vera cruz E o samba agora diz: Eu sou a luz Da lira do delírio, da alforria de Xica De toda a nudez de índia De flor de macabéia, de asa branca Meu nome é Stelinha é Inocência Meu nome é Orson Antonio Vieira conselheiro de pixote Superoutro Quero ser velho de novo eterno, quero ser novo de novo Quero ser Ganga bruta e clara gema Eu sou o samba viva o cinema - Tradicao5:54
Letra
Conheci uma garota Que era do barbalho Uma garota do barulho Namorava um rapaz Que era muito inteligente Um rapaz muito diferente Inteligente no jeito De pongar no bonde E diferente pelo tipo De camisa aberta E certa calça americana Arranjada de contrabando E sair do banco E desbancando Despongar do bonde Sempre rindo E sempre cantando Sempre lindo E sempre, sempre Sempre, sempre Sempre rindo E sempre cantando Conheci uma garota Que era do barbalho Essa garota do barulho No tempo que Lessa Era goleiro do Bahia Um goleiro, uma garantia No tempo que a turma Ia procurar porrada Na base da vã valentia No tempo que preto Não entrava no bahiano Nem pela porta da cozinha Conheci uma garota Que era do barbalho Num lotação de liberdade Que passava pelo ponto Dos quinze mistérios Indo do bairro pra cidade Pra cidade quer dizer Pro largo do terreiro Pra onde todo mundo ia Todo dia, todo dia Todo santo dia Eu, minha irmã E minha tia No tempo quem governava Era Antônio Balbino No tempo que eu era menino Menino que eu era E veja que eu já reparava Numa garota do barbalho Reparava tanto Que acabei já reparando No rapaz que ela namorava Reparei que o rapaz Era muito inteligente Um rapaz muito diferente Inteligente no jeito De pongar no bonde E diferente pelo tipo De camisa aberta E certa calça americana Arranjada de contrabando Sair do banco E desbancando Despongar do bonde Sempre rindo E sempre cantando Sempre lindo E sempre, sempre, sempre Sempre rindo E sempre cantando Sempre lindo e sempre Sempre rindo e sempre Sempre lindo e sempre Sempre lindo e sempre Me olhando - As Coisas2:39
Letra
As coisas têm peso Massa, volume, tamanho Tempo, forma, cor Posição, textura, duração Densidade, cheiro, valor Consistência, profundidade Contorno, temperatura Função, aparência, preço Destino, idade, sentido As coisas não têm paz As coisas não têm paz As coisas não têm paz As coisas não têm paz As coisas têm peso Massa, volume, tamanho Tempo, forma, cor Posição, textura, duração Densidade, cheiro, valor Consistência, profundidade Contorno, temperatura Função, aparência, preço Destino, idade, sentido As coisas não têm paz As coisas não têm paz As coisas não têm paz As coisas não têm paz - Aboio1:32
Letra
Urba imensa Pensa o que é e será e foi Pensa no boi Enigmática máscara boi Tem piedade Megacidade Conta teus meninos Canta com teus sinos A felicidade intensa Que se perde e encontra em ti Luz dilui-se e adensa-se Pensa-te - Dada3:00
Letra
A Deus Deus a A...fro...di...te De ti Ti ve Vi da Da da A Deus A Deus A Deus Deus a A...fro...di...te De ti Ti ve Vi da Da da A Deus A Deus A Deus Deus a A.....fro.....di.....te De ti Ti ve Vida Da da A Deus - Cada Macaco No Seu Galho (Cho Chua)
- Baiao Atemporal3:40
Letra
No último pau de arara de Irará Um da família Santana viajará No último pau de arara de Irará Um da família Santana viajará Levará uma semana até chegar Junto com mais dois ou três outros cabras que Estarão lá No último pau de arara de Irará Se essa viagem comprida fosse um cordel Seria boa saída acabar no céu Se essa viagem comprida fosse um cordel Seria boa saída acabar no céu Só que este conto que eu canto é pra lá de zen Não tem sentido, não serve pra nada e é Pra ninguém Pra ninguém botar defeito e não ter porém Basta pensar que irará poderá não ser Que os paus de arara de lá já não tem porque Basta pensar que Irará poderá não ser Que os paus de arara de lá já não tem porque Porque os tempos passaram e passarão Tudo que começa acaba e outros cabras seguirão Cruzando o atemporal do tão do baião - Nossa Gente
Letra
Avisa lá que eu vou chegar mais tarde, o yê Vou me juntar ao Olodum que é da alegria É denominado de vulcão O estampido ecoou nos quatro cantos do mundo Em menos de um minuto, em segundos Nossa gente é quem bem diz é quem mais dança Os gringos se afinavam na folia Os deuses igualando todo o encanto toda a transa Os rataplans dos tambores gratificam Quem fica não pensa em voltar Afeição a primeira vista O beijo-batom que não vai mais soltar A expressão do rosto identifica Avisa lá, avisa lá, avisa lá ô ô Avisa lá que eu vou Avisa lá, avisa lá, avisa lá ô ô Avisa lá que eu vou Avisa lá que eu vou chegar mais tarde, o yê Vou me juntar ao Olodum que é da alegria É denominado de vulcão O estampido ecoou nos quatro cantos do mundo Em menos de um minuto, em segundos Nossa gente é quem bem diz é quem mais dança Os gringos se afinavam na folia Os deuses igualando todo o encanto toda a transa Os rataplans dos tambores gratificam Quem fica não pensa em voltar Afeição a primeira vista O beijo-batom que não vai mais soltar A expressão do rosto identifica Avisa lá, avisa lá, avisa lá ô ô Avisa lá que eu vou Avisa lá, avisa lá, avisa lá ô ô Avisa lá que eu vou - Rap Popcreto1:58
Letra
Quem? teclado e sample: Caetano Veloso sample: Liminha - Wait Until Tomorrow3:25
Letra
Well, I'm standing here freezing, inside your golden garden Got my ladder leaned up against your wall Tonight's the night we planned to run away together Come on Dolly mae There's no time to stall But now you're telling me that, ah I think we better wait till tomorrow I think we better wait till tomorrow I think we better wait till tomorrow Got to make sure it's right So until tomorrow, goodnight Oh, Dolly mae How can you hang me up this way Oh the phone you said you wanted to run off with me today Now I'm standing here like some turned down serenading fool Hearing strange words stutter from the mixed up mind of you And you keep telling me that, ah I think we better wait till tomorrow I think we better wait till tomorrow I think we better wait till tomorrow Got to make sure it's right So until tomorrow, goodnight Oh, Dolly mae Girl, you must be insane So unsure of yourself learning from your unsure window pane Do I see a silhouette of somebody pointing something from atree? Click, bang Oh, what a hang Your daddy just shot poor me And I hear you say As I fade away We don't have to wait till tomorrow We don't have to wait till tomorrow We don't have to wait till tomorrow It must not have been right, so forever, goodnight We don't have to wait till tomorrow - Desde Que O Samba E Samba5:11
Letra
A tristeza é senhora Desde que o samba é samba, é assim A lágrima clara sobre a pele escura A noite, a chuva que cai lá fora Solidão apavora Tudo demorando em ser tão ruim Mas alguma coisa acontece No quando agora em mim Cantando eu mando a tristeza embora O samba ainda vai nascer O samba ainda não chegou O samba não vai morrer Veja, o dia ainda não raiou O samba é o pai do prazer O samba é o filho da dor O grande poder transformador